
Pastor José Maciel Alves Jr., presidente da
Associação Central Amazonas
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A obra da Igreja Adventista do Sétimo Dia em pregar a palavra de Deus no estado do Amazonas continua crescendo. Isso ocorre, primeiramente pela graça de Deus, e através de outros dois fatores imprescindíveis: liderança eficiente, integração e comprometimento dos membros. Em sua XVI Assembléia Quadrienal, que foi realizada em novembro de 2009, a Associação Central Amazonas da IASD elegeu os pastores que vão liderar a Igreja na região nos próximos quatro anos.
Conheça um pouco mais o novo presidente da Associação Central Amazonas, pastor José Alves. Em entrevista ao site da ACeAm ele conta sobre o seu ministério, UNoB, Projeto Luzeiro, Mídia, desafios e propostas para que a obra continue avançando nos próximos anos!
Qual o primeiro pensamento que lhe veio ao saber que havia sido eleito para conduzir a Igreja durante os próximos quatro anos? Foi dizer: Ó Senhor, é uma responsabilidade tão grande! O que o Senhor quer com isso? Depois eu pensei: quando Deus chama, Ele capacita. Sabia do carinho dos irmãos, de meus colegas de ministério e concluí que Deus tem um plano. Nunca pedi para entrar ou sair. Deus sabe o que faz.
Há quanto tempo você está no ministério, e na região Norte? Estou indo para meu 16º ano de ministério. Todos na ACeAm. 8 anos no interior, nas lanchas missionárias da igreja.
Quais foram os seus principais desafios durante esse tempo na ACeAm como pastor distrital, e o que mudou na sua linha de trabalho ao assumir a secretaria do Campo? São vários. Nunca tive problemas de adaptação com o clima, a alimentação, as expressões. Todavia tive que aprender. Até foi divertido. No interior era um desafio vencer as incríveis distâncias. Fiz coisas inimagináveis até para os que viviam nesses lugares. Era um desafio aprender ser um pastor e, ao mesmo tempo, um tipo de assistente social com os atendimentos nas Luzeiros. Também não é fácil ser pastor solteiro como eu fui por 3 anos. Você sempre fica limitado ou dependente. Sempre será desafiador tentar inserir algo novo em uma cultura cultivada por décadas ou séculos. Sair do interior e ir para Manaus é outro desafio. O povo da capital tem outra visão do mundo, por isso é mais exigente. As tentações são mais fortes. Secularismo, indiferença, apatia espiritual são desafios enormes para um pastor. Sair do distrito e assumir a secretaria do campo muda radicalmente a linha de trabalho. Imediatamente o vínculo direto e diário com a membresia é quebrado. Distanciar-se dos irmãos no dia a dia é doloroso. Assim, passei de cuidar de um distrito para cuidar de todos (obviamente na parte de secretaria). A rotina muda, muitas cansativas viagens, mas fiz tudo com paixão. No caso da secretaria, o desafio era atingir 100% do plano de atualização. Pela graça de Deus foi alcançado. Todavia, em todo esse tempo na ACeAm não tenho esquecido que eu sou pastor, sempre serei um pastor!
Todo pastor tem no início de seu ministério muitos sonhos, idéias e projetos com o objetivo de aperfeiçoar a obra, e muitos conseguem desenvolver em escala distrital. Agora como presidente, qual é a estratégia para continuar desenvolvendo a igreja em Manaus e parte do interior? Sim, é verdade. Eu queria mudar o mundo. Claro, não consegui, mas fiz a diferença nos lugares onde passei. Minha única pretensão é servir a Deus da melhor maneira possível. A ACeAm hoje usufrui de um bom momento evangelístico, financeiro e ministerial. A estratégia é continuar com o que está dando certo. Não precisamos de um tratamento de choque, mas podemos avaliar para mudar o que precisa ser mudado, observar atentamente o rumo que a igreja está tomando para, se for preciso, corrigir a rota. Muitas idéias que deram certo no distrito, paulatinamente serão incorporadas na ACeAm para outros distritos viverem essas experiências. Também fazemos constantes pesquisas para trazer novas idéias ao grupo. Claro, nunca desprezar o potencial humano de nossa igreja. Temos talentos que nos servem de inspiração e conselho. Juntando a isso a força pessoal de cada obreiro e missionários leigos alcançaremos grandes conquistas para o Senhor.
Em sua opinião, a nova união com sede em Manaus vai contribuir em que sentido para os trabalhos da ACeAm? Em aconselhamento mais direto e mais participação nos eventos do campo. Não faremos mais caras viagens para Belém ou outro lugar. Teremos uma parceria contínua e comprometida em somar forças para o cumprimento do evangelho de Jesus em nosso tempo.
Como os pastores e membros podem colaborar para o sucesso do plano de ação da ACeAm? Inicialmente orando intensamente. Nossa equipe é jovem, aberta ao diálogo e atenta às necessidades. Os planos não partem de uma mente apenas. Tudo foi detidamente estudado. Quando a igreja segue o calendário do campo, da união e da divisão, os planos de ação da ACeAm estão sendo colocados em prática. Os pastores e membros são o termômetro de que aquele plano foi bem sucedido. Então avançamos com fé, sem medo porque Deus está à frente.
Você foi comandante da lancha Luzeiro por muitos anos. Foi com esse projeto que a igreja chegou até a região norte. Quais os planos da ACeAm na utilização desse recurso? Sou o último capitão da Luzeiro I. Foi uma incrível experiência. Sei da importância desse recurso para os povos ribeirinhos. Em parceria com a UNoB, pretendemos “ressuscitar” a obra médico-missionária. Já demos um importante passo escolhendo um departamental exclusivo de ADRA para atender o campo. Projetos já estão em andamento. Estamos em processo de aquisição de uma nova lancha. Um utilitário foi adquirido pela ADRA. Com ele levamos donativos aos necessitados por ocasião da última grande cheia do rio. O Serviço Voluntário Adventista vai acionar todos os voluntários que desejamos na área de saúde, ensino, evangelismo. Pode ser que não seja exatamente como no passado, mas já é um grande começo.
A sede Sul Americana da Igreja está investindo cada vez mais nos meios de comunicação, e para isso conta com a participação das uniões, associações e missões. A Associação Central pretende usar o recurso da mídia para intensificar o evangelismo na capital e no interior do Amazonas? Como isso deverá acontecer? Sim, com certeza. É um caminho sem volta. Estamos inseridos nesse avanço tecnológico para a pregação do evangelho. Inicialmente efetivamos a presença de um profissional da área. Temos um jornalista com experiência em rádio e na Novo Tempo conosco. Matérias dos eventos do campo e dos distritos são enviadas para nossas revistas e a Novo Tempo. Vídeos são produzidos também. Investimos um pouco mais em novos equipamentos. Avançaremos grandemente quando chegar o equipamento de vídeo-conferência. Poderemos falar da ACeAm para qualquer computador conectado à web. Será ilimitada a abrangência desse recurso. Podemos realizar concílios, treinamentos em Manaus com transmissão imediata a quem estiver conectado no interior. Já está no ar o endereço www.aceam.org.br. Estamos na vanguarda. Nosso site acabou virando “padrão”. Estamos atualizando para oferecer mais recursos para downloads, arquivos, sermões, meditações, lições, estudos bíblicos e oração.
O calendário da ACeAm está repleto de atividades. Por que é tão importante a integração, e comprometimento de pastores e membros em todas essas atividades? Porque ali está registrado o plano, a direção desejada para cada membro, cada igreja do campo. Mostra aonde queremos chegar. Seguimos planos da igreja mundial, da DSA, da UNoB e, obviamente, da ACeAm. Pastores e membros nos aconselham também sobre o que faremos durante o ano. Um calendário é importante para uma futura avaliação.
Diante do desafio de manter a igreja positiva, em um mundo negativo, que mensagem você encontra na Bíblia, e que gostaria de compartilhar com o leitor? A história da reconstrução dos muros de Jerusalém com Neemias (Neem. 2:7). Somos convidados por Deus para levantar um muro de proteção moral e religiosa para nós e nossos filhos, nossa igreja, nossos jovens. Quando o mundo oferece ruína, Deus oferece restauração, proteção. Estar na igreja já é espetacular; permanecer também é nossa meta. Os muros foram reerguidos com sacrifício de todos. Nobres ou simples trabalhando para um bem comum. E ele foi concluído porque “o povo tinha animo para trabalhar” (cap. 4:6). Concluo dizendo que, diante da tentação de ceder, sucumbir nas garras do inimigo, o apelo feito naquela ocasião (no verso 14) se reproduz nos dias hoje com as mesmas intensas palavras: “não os temais; lembrai-vos do Senhor, grande e temível, e pelejai pelos vossos irmãos, vossos filhos, vossas filhas, vossa mulher e vossa casa”.
Entrevista concecida a Alessandro Simões |