Nascido para evangelizar


Pastor Luis Gonçalves,
evangelista da Divisão Sul-Americana

História de um homem que respira evangelismo dia e noite

De ajudante de padre a pregador adventista, ele passou por um caminho difícil, mas gratificante. O protagonista é Luís Gonçalves, diretor do Departamento de Evangelismo da Divisão Sul-Americana (DSA). Nascido em Martinópolis, SP, é casado com Elkeane Moreira Aragão e pai de Kelanie e Kelsie.

A história do pastor Luís Gonçalves é interessante, a começar pelo fato de que ele foi ordenado ao ministério adventista no segundo ano da Faculdade de Teologia. Trabalhou como obreiro bíblico, por cinco anos, sob a direção do pastor Alcides Campolongo. De 1991 a 1997, organizou sua própria equipe de evangelismo e trabalhou no Vale do Paraíba, SP, com o apoio da Federação de Empresários Adventistas e da Associação Paulista Leste.

De 1997 a 2001, dirigiu o Departamento de Evangelismo da Associação Paulista Sul. De 2002 a 2006, atuou como evangelista da Associação Paulista Central e, de 2007 a maio de 2009, coordenou o Departamento de Evangelismo da União Central Brasileira. Em maio de 2009, foi chamado para dirigir o mesmo departamento no território sul-americano.

Revista Adventista: Como foi seu primeiro contato com a mensagem adventista do sétimo dia?
Luís Gonçalves: Sou de família tradicionalmente católica. Sempre fui temente a Deus. Minha família era tão religiosa que me tornei ajudante do sacerdote, uma espécie de sacristão. Atuei também como catequista na cidade de Sorocaba, SP. Certo dia, antes da missa, senti necessidade de algo que eu não sabia o que era. Vários pensamentos me vieram à mente e senti vontade de ler a Bíblia. Então, fui ao altar, peguei a Bíblia oficial de celebrações e procurei um texto para meditar. Sem querer, eu me deparei com Êxodo 20 – os Dez Mandamentos! A emoção foi tão forte que despertou em mim o desejo de conhecer a Palavra de Deus. Eu trabalhava numa empresa de confecções e, com a ajuda de uma costureira chamada Helena e de um casal (Carlos e Yolanda), iniciei uma série de estudos bíblicos. No quinto tema, entendi tudo de forma tão clara que solicitei o batismo. No dia 24 de maio de 1986, fui batizado pelo pastor Alcides Campolongo, na igreja de Vila Fiori, em Sorocaba.

Enfrentou algum tipo de oposição?
Vários. A primeira batalha foi com minha família, que, a princípio, não entendia o que estava acontecendo nem me apoiava. A outra batalha se deu quando tive que dizer às Testemunhas de Jeová que eu havia aceitado a mensagem adventista do sétimo dia. Ora, eu estava estudando com eles havia bom tempo. Outro grande problema: conversar com o padre e dizer-lhe que eu estava abandonando a igreja católica. Mas a oposição mais forte veio de meu pai, que me procurou para conversar. Ele não era de dialogar com os filhos, mas, naquele dia, estava tão dócil e amigo que, ao dizer: “Meu filho, quero falar com você”, levei um grande susto. Ele me pediu que não aceitasse o batismo. Disse que, se eu fosse batizado na Igreja Adventista, não mais seria considerado seu filho. Isso foi o fundo do poço. Pela primeira vez, desobedeci a meu pai para obedecer ao Pai celestial. Deus, porém, tinha um plano.

O fato de ter vindo de outra denominação o ajuda na obra evangelística? 
Com certeza. Hoje, quando falo a pessoas da denominação a que estive ligado, eu as compreendo bem; sei o que elas pensam. As pessoas são muito boas e acessíveis; o que falta é alguém que fale a linguagem delas para poder apresentar as verdades divinas.

Deus me deu o privilégio de realizar uma série de conferências na cidade mais católica do Brasil, o segundo Vaticano do mundo: Aparecida do Norte. Minha experiência nessa área foi fundamental.

O dom de evangelista se limita a um pequeno número de pessoas?
Essa é uma pergunta muito difícil. Creio que toda pessoa tem um ou mais dons. Em Efésios 4:11, lemos: “E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres.”

A expressão “funções universais” indica tarefas que são obrigações de todos os cristãos, não importa quais são seus dons espirituais. Cada cristão deve desempenhá-las. Determinados dons espirituais não podem ser exigidos de cada  cristão, pois nem todos têm o dom de evangelistas, mas todos têm o dever de testemunhar de sua fé. Uma igreja pode não ter todos os dons, mas deve usar os dons que possui.

O Espírito de Profecia diz que “todo verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como missionário” (O Desejado de Todas as Nações, p. 195). Costumo dizer: “Não basta ser adventista, é preciso ser evangelista.”

De todas as histórias de conversão em suas campanhas evangelísticas qual foi a mais interessante e inspiradora?
Pela graça de Deus, eu poderia destacar muitas histórias, mas vou relatar uma: a conversão da minha família. Somos uma família grande, oito filhos – sete homens e uma mulher. Certo dia, eu estava andando nas ruas de Itaquera, Zona Leste de São Paulo, fazendo evangelismo de casa em casa, quando pensei: “Por que as pessoas a quem falo de Jesus aceitam a mensagem e se convertem e minha família não? Então, perguntei a Deus: “Senhor, Tu conheces minha família. Poderias convertê-la?” Imaginei Deus respondendo assim: “Sim, posso!”

Eu disse: “Se converteres minha família, prometo três coisas: 1) formarei uma equipe de evangelismo com meus irmãos; 2) estabelecerei a Igreja Adventista na cidade de Aparecida 3) e, um dia, vou pregar o evangelho em Roma.

Cinco anos depois, quase todos os meus irmãos se haviam tornado adventistas. Um era jogador de futebol, outro era torneiro mecânico e dois, donos de uma empresa de confecções. Desse modo, formamos uma equipe de evangelismo e trabalhamos juntos cerca de 10 anos. Hoje, pela graça de Deus, somos cinco pastores em nossa família e todos são evangelistas (Antônio, Francisco, Cirilo, Raimundo e Luís Gonçalves).

Em seguida, nos unimos para continuar as orações em favor de nossos pais. Meu pai foi o mais difícil, pois não dava espaço para diálogo. Depois de uma enfermidade terrível, ficou mais sensível, permitiu que orássemos por ele e passou a ouvir a Palavra de Deus. Após a cirurgia, solicitou uma Bíblia e, algum tempo depois, durante uma semana de decisão em Sorocaba, ele e minha mãe demonstraram interesse em ir comigo às reuniões. Naquela noite, eu tremia muito e não consegui me concentrar direito. Mas foi a noite mais gratificante do meu ministério. Depois da pregação e do batismo, fiz um apelo e, para a honra e glória de Deus, meus pais foram os primeiros a ir à frente, aceitando o batismo. Deus seja louvado!

No dia 20 de dezembro de 2008, meus irmãos e eu tivemos a maior alegria de nossa vida: entramos no batistério para a realização de um sonho e de um  milagre: batizar nossos pais. 

O problema da apostasia é preocupante. Quais são as principais estratégias que um evangelista precisa adotar para prevenir parte desse problema? O que a igreja pode fazer nesse sentido?
A apostasia começou no Céu, com a terça parte dos anjos; depois, veio para a Terra, com o primeiro casal. Hoje, não é diferente; ela vai existir até o fim.

Algumas medidas devem ser tomadas para minimizar a apostasia em nossa igreja:

a) O evangelista precisa fazer um trabalho que envolva a igreja. Desse modo, os membros participam da conversão das pessoas, o amor pelas almas aumenta, a conservação se torna mais efetiva e a apostasia quase desaparece.

b) É preciso que cada estudo bíblico, cada classe bíblica, cada pequeno grupo, cada série de evangelismo tenha o foco na qualidade de ensino dos princípios doutrinários. Cada interessado deve ser preparado com mais qualidade. Tenho certeza de que a qualidade não nos impede de batizar muito. Queremos batizar muito, porém batizar bem. 

c) Na Divisão, temos o programa do discipulado. Cada igreja deve se organizar para adotar esse abençoado programa. Isso vai ajudar muito na conservação dos novos membros na igreja. 

Suas pregações requerem amplo uso da Bíblia. Esse método alcança todas as classes sociais?
Na Palavra de Deus há mensagens para todos os tipos de mente. Cumpre-nos usar métodos e estratégias para cada classe social. No Sermão do Monte, Jesus alcançou 23 tipos de pessoas. Não creio em evangelismo não fundamentado na Bíblia. O sentido da palavra “evangelismo” é apresentar o evangelho.

O senhor se vale da internet e de outras mídias?
Faço evangelismo, via satélite, pela TV, uso o rádio e prego pela internet. Minha primeira experiência foi nos EUA. Apresentei uma série de quinze noites ao vivo, direto do Atlantic Union College, em Massachusetts. Depois, fiz mais três no Brasil, partindo o sinal das cidades de Tremembé e Santo André, SP, e de Vitória, ES. 

Quais são os grandes projetos evangelísticos para 2010 na Divisão Sul-Americana? 
Nosso programa evangelístico para este ano está focado no sábado como um dia de esperança. Será um movimento missionário muito especial. Queremos que cada membro da igreja tenha cinco frentes evangelísticas em mente: 1) Evangelismo da Semana Santa (27 de março a 3 de abril); 2) Impacto Esperança (15 de maio); 3) Lares de Esperança (22 de maio); 4) Evangelismo e Batismo da Primavera (em setembro); 5) Evangelismo de Colheita, via satélite (23 a 30 de outubro pela TV Novo Tempo).

Fonte: Revista Adventista, fevereiro de 2010

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