
Pastor Jan Paulsen, presidente mundial
da Igreja Adventista do Sétimo Dia
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5 coisas que não podemos ignorar.
Status quo pode ser um “lugar” maravilhosamente confortável para se ocupar. A segurança da rotina, a certeza do que é familiar, a facilidade do modo de pensar reciclado e bem usado.
Nas Escrituras, no entanto, vejo uma fé que está fundamentalmente em desacordo com “a realidade”. Vejo homens e mulheres insatisfeitos com aquilo que é comum, pessoas que avançam para as águas profundas da fé, porque não estavam satisfeitos com o que era apenas “rotina”.
Vejo um Salvador que nos chama à fidelidade, fidelidade que, necessariamente, não leva a caminhos confortáveis ou previsíveis.
Alguns pensamentos têm se cristalizado em minha mente nas últimas semanas, enquanto nos preparamos para deixar para trás 2009 e entrar em um novo ano. É uma lista naturalmente subjetiva e, de maneira alguma, definitiva. Ela, porém, representa as áreas da nossa jornada espiritual que, se negligenciadas, naturalmente irão sucumbir em face da atração pelo status quo.
Os adventistas do sétimo dia não podem ignorar:
1. Escolhas
Será que estamos fazendo conscientemente as escolhas que moldam nosso cotidiano? Temos uma clara noção de nossos próprios valores? Não estamos vivemos deliberadamente? Será que nossas escolhas são realmente nossas?
Cada decisão que fazemos contribui para o aperfeiçoamento de nosso caráter e a direção que daremos à nossa vida. Esse é um processo vagaroso. É um processo que acontece de forma lenta, gradual e, muitas vezes, inconsciente, mas acontece.
Não podemos nos iludir em relação à posse de nossas escolhas. Se tentarmos, começaremos a nos sentir à mercê das circunstâncias, com a sensação de estar presos e encontraremos outras pessoas fazendo escolhas em nosso nome.
No reino espiritual, isso pode levar ao discipulado não saudável, tornando-nos dependentes de outra pessoa que não nosso Senhor, para definir nossas crenças e alimentar nossa espiritualidade.
Quando olho para trás, para minha vida, vejo as escolhas que estavam longe de ser ideais. Não temos que fazer escolhas perfeitas, escolhas que, na melhor das hipóteses, são tolas. Elas são um tributo à paciência e compaixão que Deus continua a me oferecer, apesar de mim mesmo. Nós não temos de fazer escolhas perfeitas, mas temos de reconhecer que elas existem para serem feitas.
Não podemos ignorar o poder de nossas escolhas.
2. O Relógio
O tempo está passando. Estamos inexoravelmente caminhando para o clímax da História, para o retorno de nosso Senhor. Entretanto, o tempo tem o hábito de deslizar silenciosamente. Nós nos tornamos insensíveis. Apaziguamo-nos pensando que “sempre foi assim e amanhã continuará exatamente como hoje” (veja 2 Pedro 3:4). Assim, deslizamos para a complacência. “Estou bem intencionado, venho de um bom lar adventista, minha cultura e comportamento são os de um ‘bom adventista’.” A dura realidade é esta: Se não formos sérios sobre como gastamos tempo, se a Segunda Vinda de Cristo não é uma realidade viva para nós, então vamos adormecer. Vamos deslizar para um coma espiritual.
Isso significa que temos de viver em um estado de ansiedade ou paranóia? Não. Significa, simplesmente, estar alerta para a passagem do tempo e para a proximidade da volta de Cristo. Significa permitir que essa realidade molde nossas escolhas diárias, tanto grandes como pequenas.
Não podemos ignorar o rápido fechamento da porta da História.
3. Eu - O Primeiro Pensamento
Somos uma comunidade de crentes, não uma coleção de indivíduos isolados ou congregações em que cada um faz “o que parece certo aos olhos de cada um”. Permanecemos juntos. Apoiamos uns aos outros. Doamo-nos pessoal e financeiramente uns aos outros. Oramos uns pelos outros.
Submetemo-nos uns aos outros. Quando uma parte do corpo luta contra um problema, conversamos sobre ele como membros da mesma família (1Co 12:26).
Se deliberadamente, porém, não cultivarmos uma atitude de “interesse pelo outro”, desviaremos para o “interesse em mim primeiro”. Pode tratar-se de indivíduos, congregações ou líderes de igreja, alguns são mais preocupados com o que podem receber da igreja em geral do que com o que podem dar em troca.
Não podemos abandonar os sagrados elos familiares. Não podemos desistir da nossa visão da missão, que vê o mundo além da nossa comunidade.
Não podemos ignorar a imensa necessidade que temos uns dos outros.
4. Cultura da ExclusÃo
Não podemos caminhar para o futuro com segmentos em nossa comunidade de fé - sejam eles jovens, mulheres, culturas ou grupos étnicos - com a sensação de que não desempenham papel significativo ou representativo na vida da igreja. Precisamos atentar para isso. Por que a exclusão realmente existe, ou temos a impressão de que ela existe? Será que estamos incentivando e nutrindo os dons de todos os nossos membros? Está faltando alguém em um cargo importante porque em alguma etapa do processo eletivo ele ficou de fora? Se não conseguirmos resolver esse problema, vamos prejudicar nossa credibilidade, impedir o crescimento de nossa capacidade de concluir a missão e impedir nosso crescimento.
Não podemos ignorar as habilidades e os dons espirituais que Deus dá a todos os Seus filhos.
5. Mentalidade “Bolha”
Alguns, frequentemente, olham para trás com nostalgia; veem tudo o que pertence ao passado como inviolável, e o passado se torna sagrado.
Mas o mundo em que vivemos se recusa a permanecer inerte. A vida, fora e dentro da igreja, é dinâmica. Está em constante movimento. Como igreja, não podemos viver dentro do confortável casulo do “que era”. Não podemos ser o povo de “uma ideia”, estereotipado por nosso modo de trabalhar (veja Serviço Cristão, p. 119).
Deixe-me ser claro. Não estou sugerindo a mudança daquilo que somos. Longe disso! Nossa história e nosso patrimônio têm um significado enorme para nós e vemos a mão de Deus em cada curva do caminho. As doutrinas e os valores que compartilhamos são a âncora poderosa de nossa identidade global.
Pense, por um momento, em si mesmo, como indivíduo. Você tem sua própria história, personalidade e valores. Você acorda todas as manhãs na mesma casa, toma o mesmo desjejum e sai pela mesma porta. Mas cada dia é diferente, novos desafios o empurram para caminhos inesperados e demandam ações criativas. Entretanto, sua personalidade básica, o âmago de sua identidade, permanece inalterada.
Com a igreja também é assim. Precisamos estar aptos a reagir, a ajustar nossa estrutura, nossos procedimentos e nossos métodos de nos relacionar com a sociedade. Se só repetirmos o que sempre fizemos simplesmente porque é assim que sempre foi feito, entramos num caminho sem volta em direção da ineficácia.
Não podemos ignorar as mudanças.
Vida com significado
Como devemos encarar o próximo ano? Espero que vivamos escolhendo deliberadamente nosso caminho com integridade e com um olho na passagem do tempo.
Espero que escolhamos uma comunidade acima do individualismo, valorizando o que cada um acrescenta ao corpo de Cristo. Acima de tudo, espero que, como indivíduos e como igreja, nos recusemos a nos satisfazer com o status quo.
O pastor Jan Paulsen escreve mensalmente para a Adventist World, periódico mensal publicado pela Review and Herald Publishing Association.

Fonte: Adventist World (dezembro de 2009)
http://portuguese.adventistworld.org/
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