
Pastor Jan Paulsen, presidente mundial
da Igreja Adventista do Sétimo Dia
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Há alguns poucos sentimentos que nos perturbam e nos causam incerteza, como o receio pelo desconhecido e o temor do que nos trará o futuro. A crise financeira que engoliu o mercado financeiro mundial nos últimos meses está gerando esse tipo de ansiedade. A humanidade parece ter chegado a uma encruzilhada e o caminho à frente não é claro. Acordamos todas as manhãs e encaramos realidades cada vez mais austeras. À noite, a preocupação nos tira o sono. Será que vou manter meu emprego? E a casa? E o fundo de aposentadoria? O que essas manchetes vão significar para nossos filhos, pais, planos e sonhos?
A igreja, como organização mundial, com seu massivo programa global de missão, está enfrentando as mesmas realidades financeiras confrontadas pelos governos, indústrias e pessoas. Não estamos imunes. Ao se conscientizarem dessa realidade, muitos membros de nossa igreja perguntam: Como essa incerteza financeira afeta o trabalho da igreja no mundo?
Como presidente da Associação Geral, minha primeira responsabilidade é cuidar do bem-estar da igreja. Os desafios que enfrentamos são reais. Reconheço isso plenamente. Mas, ao mesmo tempo, tenho algumas convicções básicas que me acompanham dia e noite, dando-me uma sensação de paz e segurança que supera qualquer ansiedade pelo futuro.
1. A igreja é o povo de Deus. O que acontece ao povo de Deus está em Suas mãos. Eventos e circunstâncias acontecem e até podem impactar a igreja. Como aconteceu no passado, a igreja pode ser conduzida a desertos e perseguições, mas a sobrevivência do povo de Deus não está em jogo; não será um ser humano que poderá salvar ou destruir a igreja. Por isso, sinto paz só pelo fato de saber que há Alguém cuja grandeza é sem limites e de que a igreja é dEle. É difícil explicar a natureza de minha confiança nEle; se tentasse, poderia parecer simplista, mas ela é bem compreensível e real.
2. Como pastor e líder eleito da igreja mundial, sou apenas um servo. Não sou o dono nem o senhor da igreja. Mas o modo com que vejo meu papel e a maneira como lido com minhas responsabilidades é como um servo sobre o qual depositaram uma confiança especial. Tenho que ter cuidado para não confundir minha função com o senso de propriedade. Como servo, cuidando do que me foi confiado. O que o Proprietário requer e espera de mim? Ele espera que eu seja fiel e faça o melhor. Isso é tudo! O Senhor não pede mais do que isso. Se estou fazendo o melhor que posso e mantenho meu coração puro, sinto profunda paz e posso dormir à noite. Não sou profeta; não sei o que acontecerá quando eu acordar, mas não tenho que me preocupar com isso. Tudo está nas mãos de Deus.
3. Tenho uma percepção muito forte da fidelidade de Deus para com Seu povo. Trata-se de uma fidelidade testada e provada muitas e muitas vezes. Ao longo dos anos, Seu amor e cuidado infalível por Sua igreja é inconfundível. Obtenho força indescritível da certeza de que “nada temos que recear quanto ao futuro, a menos que esqueçamos a maneira em que o Senhor nos tem guiado, e os ensinos que nos ministrou no passado”.* Ao mesmo tempo, tenho forte percepção de que o povo de Deus é fiel a Ele. Esta é uma relação que também foi testada tanto em bons como em maus tempos. A fidelidade do povo de Deus não depende do tamanho do seu contra-cheque ou do valor da poupança que guardam no banco; na verdade, prosperidade financeira, às vezes, pode pregar peças em nossa mente e levar-nos a territórios que não são ocupados por Deus. Frequentemente, a demonstração mais visível e surpreendente da fidelidade de Deus acontece em meio às dificuldades e provas.
Assim, as duas certezas complementares – a fidelidade de Deus e a fidelidade de Seu povo – transmitem-me um maravilhoso sentimento de paz.
4. Mesmo descansando na certeza da direção de Deus, pode ser que enfrentemos realidades práticas. Orçamentos a serem concluídos, “sins” administrativos ou “nãos” decisivos a serem ditos. Quando os tempos são difíceis e incertos, como estão agora, não há outra escolha a fazer a não ser apertar o cinto e estar dispostos ao sacrifício. Estamos começando por nós mesmos, na Associação Geral. Não comprometeremos a missão, mas estamos reduzindo o uso dos nossos recursos, encontrando alternativas, maneiras menos dispendiosas de cumprir nossas responsabilidades; segurando um pouco mais tudo o que percebemos que pode ser feito amanhã. Temos que seguir em frente com prudência e cautela, e devemos fazê-lo de modo que fique visível para os membros da igreja.
5. Volto a mais um valor espiritual importante, que me proporciona uma boa noite de sono: Preciso chegar ao final de cada dia com a forte percepção do perdão de Deus. Enquanto falo com Deus, as falhas pessoais e corporativas tornam-se parte de ontem; posso desejar desfazer algumas, mas não posso. Posso apenas levá-las a Ele e pedir Sua cura. Em minha vida, Ele tem me atendido muitas e muitas vezes, e isso me traz paz.
A igreja e o seu cuidado pertencem ao Senhor. Ele “nos selou como Sua propriedade e pôs Seu Espírito em nosso coração como garantia do que está por vir” (2Co 1:22, NVI). Meu desafio e o seu desafio é sermos fiéis. Não importa o que nos traga o amanhã, o Seu propósito prevalecerá.
* Ellen G. White, Testemunhos Seletos, v. 3, p. 443.
O pastor Jan Paulsen escreve mensalmente para a Adventist World, periódico mensal publicado pela Review and Herald Publishing Association.

Fonte: Adventist World (fevereiro de 2009)
http://portuguese.adventistworld.org/
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