
Pastor Jan Paulsen, presidente mundial
da Igreja Adventista do Sétimo Dia
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Manter adolescentes e jovens engajados na igreja deve ser uma de nossas prioridades.
Quando consideramos o rumo que nossa vida tomou, é fácil olhar para trás e descobrir certo grau de “inevitabilidade” – o caminho que seguimos em nossos estudos e profissão, o companheiro que escolhemos para a vida, a família que formamos. Mesmo assim, essa sensação de inevitabilidade é uma ilusão. Nessa primeira fase crítica do processo de decisão – na adolescência e início da vida profissional – quando grande número de nossas decisões é de longa duração e as consequências desconhecidas, o que será nosso futuro é mais que incerto. Ele se equilibra precariamente sobre uma infinidade de variáveis, tomando seu rumo pelas circunstâncias, oportunidades ou escolhas.
Quando consideramos o rumo que nossa vida tomou, é fácil olhar para trás e descobrir certo grau de “inevitabilidade” – o caminho que seguimos em nossos estudos e profissão, o companheiro que escolhemos para a vida, a família que formamos. Mesmo assim, essa sensação de inevitabilidade é uma ilusão. Nessa primeira fase crítica do processo de decisão – na adolescência e início da vida profissional – quando grande número de nossas decisões é de longa duração e as consequências desconhecidas, o que será nosso futuro é mais que incerto. Ele se equilibra precariamente sobre uma infinidade de variáveis, tomando seu rumo pelas circunstâncias, oportunidades ou escolhas.
Olho para trás, para minha própria adolescência, e penso: Como os limites eram estreitos! Quão facilmente uma decisão errada, ou uma circunstância poderia ter empurrado as coisas para uma direção totalmente diferente.
Olho para a família de nossa igreja – membros abaixo de 35 – que estão no processo de fazer essas mesmas decisões para a vida. Eles não mais refletem meramente as atitudes e crenças de seus pais ou professores. Estão testando esses valores por eles mesmos – “provando se são para seu tamanho”, decidindo se vão mantê-los, modificá-los ou trocá-los por algo totalmente diferente.
Considero, então, o êxodo dos jovens de nossa igreja e isso me angustia profundamente.
Por que tantos deixam a igreja? Arriscando-me a simplificar demais algo de tão grave importância para a igreja, gostaria de apresentar algumas reflexões que tomaram forma em minha mente ao longo dos anos, mas que, recentemente, ganharam um crescente senso e peso de urgência.
Falando sobre esse assunto, temos que diferenciar dois grupos extensos: adolescentes e jovens ou jovens profissionais. Embora algumas questões sobreponham entre si, suas lutas e experiências são essencialmente diferentes, pois as razões para abandonar a igreja também serão distintas.
Adolescentes
Há muitos anos, aconteceu algo com um jovem que era muito próximo de mim. Ele estava lutando contra várias coisas ao mesmo tempo e não era fácil para ele levantar e ir para a igreja todos os sábados. Certo sábado de manhã, ele chegou à porta da igreja um pouco atrasado, vestido com um jeans. O primeiro ancião, quando o viu, disse: “Você não está vestido apropriadamente. Vá para casa e troque de roupa.” Ele foi para casa e não voltou. Ali começou uma longa jornada pelo deserto em que ele gastou muito, muito tempo. Mais tarde, ele saiu daquele deserto, porém mais por uma questão de amor aos seus pais e pela certeza do imenso amor que eles tinham por ele.
Foi esse incidente o único motivo para ele deixar a igreja? Não. Mas, para ele, foi o exato momento em que a igreja lhe disse: “Você, realmente, não se encaixa entre as pessoas que adoram aqui. Vá para casa e coloque roupas mais adequadas.”
Muitos adolescentes decidem deixar a igreja por se sentirem “marcados”. Eles se sentem indignos; sentem-se inúteis; não se sentem à vontade dentro da igreja para abordar questões conflitantes de padrões e comportamento que eles e seus amigos estão enfrentando. Poderíamos fazer uma longa lista dessas questões: atividades sociais, escolhas musicais e entretenimento, relacionamentos e sexualidade, a necessidade que têm de expressar seu crescente senso de individualidade e independência. Eles falam sobre essas coisas entre si, em segredo, com o sentimento de que serão condenados se alguém ouvir.
Como podemos compreender nossos adolescentes mais adequadamente?
Faça-o de modo pessoal. Pense na sua própria família, em seus filhos. É difícil seu filho ou sua filha “merecerem” algo de você? Claro que não! Eles são sangue do seu sangue, carne de sua carne.
Se tomarmos tempo para considerar cada jovem de nossa congregação como nossos próprios filhos e filhas, haveria uma incrível mudança de perspectiva. Somente quando o adolescente sente na comunidade da igreja o mesmo tipo de calor que uma criança sente na intimidade da família, poderemos oferecer direção e correção.
Deve ser pessoal. Essa não é uma tarefa que deve ser delegada para o pastor dos jovens, Desbravadores ou Escola Sabatina. É a minha atitude para com os membros jovens de minha congregação que faz a diferença. Como eles reagem às minhas palavras e atitude para com eles?
Contextualize. Os adolescentes falam e fazem loucuras; simplesmente fazem. São adolescentes e falar e fazer loucuras está dentro da normalidade. É da natureza dos adolescentes testar as águas, fazer escolhas, perturbar e abalar os “anciãos”. Pode ser pela pressão do grupo, por um ato de rebeldia ou simplesmente pelo fato de que cresceram em um mundo, o mundo adventista, e querem experimentar, sentir o cheiro e o sabor do “outro mundo”. Muito simples, os valores dos pais não são transmitidos geneticamente, o adolescente está ativamente testando e questionando – esse é um processo característico e natural a essa etapa da jornada. Portanto, vamos estender a tolerância e paciência e estar disposto a alargar a visão.
Lembre-se: Eu já passei por isso e também cometi erros. Muitos erros! Você consegue se lembrar de quando era adolescente? Às vezes, você não estava satisfeito consigo mesmo. Você tinha consciência de tudo o que acontecia: percebia cada espinha no seu rosto, cada falha no modo de agir, e que era excepcionalmente vulnerável à opinião dos outros.
Uma palavra leviana falada por um membro mais velho da congregação pode ter enormes consequências para um jovem cuja autoimagem é facilmente danificada. Do mesmo modo, algumas palavras de incentivo podem ter um impacto positivo.
Jovens Adultos e Jovens Profissionais
Há os que sobrevivem à adolescência e ainda estão nos bancos da igreja, pelo menos na maioria dos sábados. Estão terminando os estudos, embarcando na carreira profissional e formando suas famílias. O que faz a diferença entre os que criam fortes e duradouras raízes em uma comunidade de crentes e os que derivam vagarosamente em direção à porta?
Importância. Há um grupo de amigos, jovens profissionais que, ocasionalmente, se reúnem socialmente. Elem vêm de diferentes países, mas a profissão os trouxe, junto com a família, para a mesma cidade no oeste europeu. Alguns ainda têm fortes laços com a comunidade adventista; outros já perderam a conexão ao longo do caminho, mas todos galgaram basicamente o mesmo caminho de estudos e experiência de vida até ali. Às vezes, conversam sobre a igreja. Perguntam: Quão relevante é o adventismo? Será que tem algo importante a dizer sobre questões como a vida cotidiana, justiça social, pobreza e direitos humanos, meio ambiente, ética, economia ou sobre as comunidades nas quais vivemos? Na prática, que diferença realmente faz o rótulo de “adventista”?
Para muitos jovens adultos, a percepção de quão bem essas perguntas são respondidas pela igreja pode determinar se eles ficam ou saem. Estão desencantados com a religião centralizada apenas no futuro e que negligencia completamente o presente. Não que eles tenham deixado de crer no que a igreja ensina, mas perderam a fé na sua habilidade de falar da vida com significado para sua experiência diária. Estão frustrados ao perceber a falta de vontade da igreja em dar o mesmo peso moral e teológico aos assuntos que mais afetam a sociedade.
Comunidade. Ainda mais importante é que, para esse grupo etário, a igreja não propicia os laços comunitários apropriados à sua expectativa. Um jovem profissional me escreveu recentemente: “Quando alguém está enfrentando uma luta, será que pensa imediatamente em procurar a igreja porque sabe que será amado e compreendidos? Ou a igreja é o último lugar “seguro” para alguém se abrir e pedir ajuda? Geralmente, é a última opção.”
Para gerações de jovens moldados por um mundo pós-moderno, estar “certo” vai levá-lo até certo ponto. Você pode falar a verdade sempre com eloquência, pode estar correto em cada detalhe, pode citar capítulos e versos, e mesmo assim eles vão sair da igreja se não sentirem uma profunda e calorosa aceitação.
Propósito e confiança. Os jovens adultos e profissionais também deixam a igreja porque estão cheios de ideias, opiniões e energia, mas não encontram lugar para compartilhá-las dentro da igreja. Não que creiam que a igreja não seja importante para eles; ao contrário, creem que eles não são importantes para a igreja! Assim, podem permanecer dentro por um tempo, por uma questão familiar ou social, mas, no fundo, já estão “fora”.
Chamado Para a AÇÃo
Não tenho palavras para expressar a profundidade de minha convicção de que devemos dar aos jovens adultos papéis significativos na igreja. Não deve ser apenas “mantê-los ocupados”, mas devemos votar cargos substanciais que signifiquem um alto nível de confiança, incluindo-os nos processos decisórios, procurar envolvê-los de um modo que soe: “Queremos ouvir sua voz.”
Tanto para os adolescentes, como para os jovem profissionais, “confiança” é o pivô sobre o qual giram muitas dessas questões. Não o tipo de confiança que diz: “Vou lhe dar tal responsabilidade e, após um tempo, vamos avaliar sua capacidade.” Ao contrário, falo de um tipo de confiança que liberta e capacita os jovens a ser companheiros ativos no planejamento do culto e do testemunho de sua congregação; uma confiança que reconhece que alguém não precisa ter 40, 50 ou 60 anos de idade para ter um fervoroso desejo de servir a Deus; uma confiança que reconhece que seu amor pela igreja é tão profundo quanto o meu, e que eles, também, escolheram esse lugar como seu lar espiritual.
Será que a atitude deles em relação a essas coisas, às vezes, pode ser diferente da minha expectativa? Sim, talvez. Corremos algum risco? Pode ser. Porém, o risco de não confiar em nossos jovens é muito maior, pois, se não confiarmos neles em algum nível, eles simplesmente irão embora.
O pastor Jan Paulsen escreve mensalmente para a Adventist World, periódico mensal publicado pela Review and Herald Publishing Association.

Fonte: Adventist World (outubro de 2009)
http://portuguese.adventistworld.org/
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